O Município de Idanha-a-Nova, em conjunto com a Aliança Territorial Europeia (ATE) Norte da Extremadura & Beira Baixa, liderou ontem uma mobilização transfronteiriça inédita junto à Ponte Internacional de Monfortinho. Sob o mote “Cooperar para travar o despovoamento”, o evento uniu esta tarde autarcas, instituições e populações dos dois lados da raia numa posição categórica aos Governos de Lisboa e Madrid: o início das obras já em 2026 para a conversão em Autoestrada do eixo EX-A1 (Moraleja) – Castelo Branco (A23). Esta infraestrutura é crucial para assegurar a ligação direta entre as duas capitais ibéricas, concretizando este corredor estratégico até 2029.
Durante as intervenções realizadas ao final da tarde de ontem, os líderes políticos regionais detalharam o impacto socioeconómico do projeto. Nos discursos que decorreram no palco principal, perante várias centenas de pessoas, incluiram-se as declarações de Elza Gonçalves, Presidente da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova; Leopoldo Rodrigues, Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco; Francisco Martín, Porta-voz da ATE; e Júlio César Herrero, Presidente da Câmara Municipal de Moraleja.
A Presidente da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, Elza Gonçalves, destacou o simbolismo do encontro como um marco de justiça, coesão e respeito por um povo resiliente. A autarca afirmou que a implementação do IC31 com perfil de autoestrada representa uma oportunidade transformadora para reposicionar a região como o centro de um novo eixo ibérico.
“Esta obra ultrapassa a engenharia e o território. Esta é a autoestrada da esperança de um povo inteiro. É o canal que libertará o potencial adormecido de uma região que exige, por direito e por justiça, o seu lugar no futuro!”, sublinhou a edil.
Elza Gonçalves enfatizou a legitimidade da reivindicação, lembrando aos governos centrais que os cidadãos da Beira Baixa cumprem as mesmas obrigações fiscais que os das capitais. O foco do Município de Idanha-a-Nova reside na facilitação do investimento privado, na fixação de jovens talentos e na atração de novas dinâmicas económicas através de um corredor de transporte rápido e seguro.
A líder do Executivo idanhense clarificou ainda que a estratégia de desenvolvimento do concelho assenta na valorização do ordenamento do território e no crescimento sustentável. Esta visão traduz-se em duas frentes de ação paralelas que incluem o empenho total na concretização do IC31 em perfil de autoestrada como um corredor de vida gerador de emprego, turismo e qualidade de vida, a par de uma oposição institucional firme à instalação desmesurada de centrais solares de grande escala que comprometem o equilíbrio ambiental e paisagístico da região.
O evento encerrou com uma mensagem de união ibérica, demonstrando que a exigência da conversão do eixo transfronteiriço é uma causa comum que ultrapassa cores políticas para garantir a prosperidade e a sustentabilidade das populações da Raia.
21 de maio de 2026